
Inútil estar sempre cogitando novos sistemas sociais, enquanto não se puder dispor de outro tipo humano como material construtivo. Com esse homem anti-social e caótico não se pode pretender sólida construção coletiva. Para tanto, esse material deve ser cimentado pela fé e manter-se no espírito de cooperação, na disciplina material e moral e, acima de tudo, na retidão interior. Em face desse princípio fundamental de ordem, torna-se secundária, quase sem importância, a forma do sistema social, segundo o qual os homens tanto se separam e tanto se batem. Não é a estrutura do sistema o que importa e decide, mas haver entendido a lógica e a vantagem, até mesmo individual, da honestidade, esse novo e mais orgânico utilitarismo, e ter compreendido, ao contrário do que possa parecer ao involuído, como a retidão é força, ajuda na luta, posição de superioridade, forma vital de consciência, equilíbrio, saúde do espírito. Algum sábio, sem dúvida, já o disse e redisse. Mas na vida dos povos valem os atos de muitos e não as palavras de poucos.
Para solução de todos os problemas, repetiremos sempre, necessitamos compreender a Lei. Não vivemos no vácuo, em meio ao nada, no caos; estamos, pelo contrário, mergulhados em oceano de forças e, entre elas, somos força também; não podemos isolarmo-nos, fugir do regime de interdependência que liga tudo a tudo. Todo fenômeno tem vida e se move segundo trajetória determinada; representa impulso, vontade de existir em dada forma, de progredir em direção a determinada meta; representa dinamismo inteligente. Forma, vontade ativa e princípio diretor acham-se presentes em qualquer época e lugar. O conjunto imenso de todas as formas coordena-se em hierarquia; a rede de todos os impulsos, em sistemas dinâmicos; e o feixe de todos os princípios, na Lei. Tudo é ligado, sensível, correspondente. Não se podem evitar as proporcionadas e precisas reações a todos os movimentos. Tudo ecoa e repercute em cadeias de ações e reações. Então, a melhor defesa consiste na consciência tranquila.
Do livro "A Nova Civilização do Terceiro Milênio" - cap 6