
A humanidade de hoje crê ter-se de súbito civilizado apenas porque descobriu alguma lei exterior da vida, que lhe permite mais cômodo desfrutamento dos recursos naturais. Trata-se de domínio alcançado sobre algumas forças tornadas em parte obedientes, para atingir bem-estar de que nos pomos a gozar, ignorando-lhe as conseqüências. Esse domínio também poderá servir para causar-nos a morte cientificamente, em larga escala, porém não nos torna mais adiantados. Isso não pode chamar-se civilização. De mudanças profundas de orientação, que interessem à motivação da atividade humana, nem se fala.
Hoje em dia a vida se apresenta feroz e desapiedada como nos tempos pré-históricos. Não estar armado de pedras lascadas, mas de metralhadoras, não estrangular o seu semelhante com as mãos, e sim com os Bancos, representa apenas progresso formal, substancialmente fictício. Civilização que deixa intactos os instintos bestiais do homem e, além disso, lhe oferece meios mais poderosos de satisfazê-los, não merece o nome de civilização.
Hoje, ao invés de havermos progredido, descemos a tal ponto que perdemos o sentido do que seja civilização e mudamos o significado dessa e de outras palavras sublimes. A verdadeira civilização está mais dentro do que fora de nós; é mais um poder das qualidades da personalidade que um poder originado nos meios exteriores e no domínio material; é progresso no espírito, implica em mudança do comportamento humano em profundidade e não apenas em superfície. (P. Ubaldi - A Nova Civilização do 3º Milênio)
Ainda estamos. longe de uma verdadeira civilização inteligente. Em nossa humanidade ainda prevalece a selvageria; ela sobrevive devido ao fruto do passado bestial, o instinto e até o gosto de matar. Os jornais, o cinema, a televisão, os romances populares estão cheios de histórias de delitos, que o público lê e vê com alegria, ao invés de olhá-los com horror. Isso revela uma forma mental confusa, que não podendo satisfazer-se com os fatos, por medo do código penal, satisfaz-se com a imaginação.Essa presença de gostos ferozes explica-se como uma sobrevivência do passado, em que, na rivalidade da luta pela vida, o extermínio de quem estava fora do próprio grupo representava sinal de vitória portador de bem-estar. É por isso que, para os mais involuídos, a idéia da destruição do próximo esta ligada à idéia da alegria de viver. (P. Ubaldi – A Lei de Deus)